Tem um som que a gente já reconhece sem pensar: o passinho curto da Flor batendo na terra fofa do quintal, lá pelas oito da manhã, quando o sol começa a esquentar as folhas das frutíferas. É o primeiro sinal de que o dia na floricultura começou. E desde algumas semanas para cá, tem um segundo som mais leve junto — o trote miudinho da Flora, filhote recém-chegada, correndo atrás da mãe.
Esse post é para contar um pouquinho dessa história. Quem é a Flor, como a Flora apareceu, e por que duas mini cabras viraram tão importantes para uma floricultura familiar aqui em Itoupava Norte.
Quem é a Flor
A Flor é uma mini cabra adulta — pequena, de pelo claro, com aquele olhar curioso que cabra tem quando reconhece quem chega. Ela é a mascote original da Alecrim, faz parte da casa desde quase o começo. A loja abriu em 30 de abril de 2022, e não demorou muito para Christiane decidir que aquele quintal cheio de mudas precisava de uma morada de bicho também.
A Flor chegou ainda novinha. Cresceu entre vasos de pitangueira, no meio do cheiro de manjericão, andando entre as samambaias penduradas. Aprendeu cedo o ritmo da loja: gente que entra, gente que sai, cliente que abaixa para fazer carinho. Ela conhece o som da porta do escritório se abrindo de manhã e o som do carro do Osni chegando — e reage diferente para cada um.
A Christiane conta que a Flor sempre teve esse jeitinho de receber. "Tem cliente que vem comprar uma muda e fica meia hora só conversando com ela", diz, rindo. "A Flor virou parte do atendimento."
Como a Flora chegou
A Flora nasceu há poucas semanas. É filhote da Flor — uma mini cabra ainda menor, pernas finas, andar que parece que vai cair a qualquer momento mas não cai. Tem um pelo um pouco mais escuro que o da mãe, e uns olhos enormes que param tudo quando alguém se abaixa para olhar de perto.
Foi uma alegria para família toda. O Osni e a Christiane acompanharam de pertinho, com cuidado de quem já cuidou de muita planta delicada e sabe a hora de chegar perto e a hora de deixar quieto. A Flora hoje passa o dia colado na mãe — come, dorme e brinca por perto, ainda aprendendo a fazer o terreno dela.
O nome veio quase natural. Se a mãe é Flor, a filha tinha que ser Flora. Daí veio até a hashtag nova da loja: #FloreFloraAlecrim. Quem visita e tira foto pode marcar — a gente repost.
Por que cabras numa floricultura
A gente já ouviu essa pergunta várias vezes. "Mas por que cabra? Não estraga as plantas?" A resposta tem duas camadas.
A primeira é prática: o quintal é grande, as mudas ficam em canteiros e prateleiras protegidas, e a Flor (agora com a Flora junto) tem o espaço dela bem definido. Convivem em harmonia — ninguém morde planta de cliente.
A segunda é o que importa de verdade. Uma floricultura não vende decoração, vende vida. E vida é bicho, é terra, é cheiro de feno seco no canto, é barulho de mamãe correndo atrás da cria. Quem entra aqui e vê a Flor lambendo a mão de uma criança entende, sem a gente precisar explicar, que esse lugar tem outro tempo. Que não é loja de buquê pronto para levar embora em meia hora. É quintal aberto.
Tem outra coisa também, mais sutil. Uma floricultura familiar precisa mostrar família. A Flor virando mãe da Flora é uma metáfora viva do que a gente vende todo dia — a continuidade, o que nasce e cresce, o cuidado que vira geração seguinte. Não foi planejado assim. Só aconteceu, e a gente percebeu depois.
O quintal aberto: como funciona a visita
Quem nunca veio à Alecrim costuma chegar esperando uma loja fechada, com balcão e cartaz. Não é bem assim. O espaço é um quintal aberto: você entra pelo portão, anda entre os canteiros e prateleiras de muda, sente o cheiro das aromaticas, e em algum ponto cruza com a Flor — geralmente perto da área das frutíferas, onde ela gosta de ficar de manhã.
Dá para olhar, fazer carinho, tirar foto. Pedimos só para não oferecer comida (elas têm dieta certinha) e para deixar a Flora se aproximar no tempo dela — ainda é filhote, tá se acostumando com o movimento da loja.
Tem cliente que vem comprar uma planta e fica meia hora só conversando, conhecendo o terreno. Tem avó que traz neto exclusivamente para ver as cabras. Tem fotógrafa que pediu para ensaiar com a Flora outro dia. A loja virou meio que um pedacinho de sítio no meio da cidade — e a gente gosta disso.
As outras vidas do quintal
A Flor e a Flora dividem espaço com muita coisa que cresce. Tem frutíferas adultas que dão sombra fresca para o canto delas, ervas aromaticas que perfumam o ar (alecrim, manjericão, hortelã), plantas externas em vasos grandes esperando lar. Cada cantinho tem um cheiro diferente, dependendo da hora do dia e do que está florindo.
De manhã cedo, antes da loja abrir, o quintal é um lugar de muita vida silenciosa: passarinho descendo para beber água, a Flor pastando, a Flora dormindo no canto. A gente já chegou várias vezes antes da Christiane abrir e ficou um tempinho só olhando. Vale a pena, se você tiver a chance.
Conheça o quintal
A Alecrim fica na R. São Valentim, 331 — Itoupava Norte, Blumenau. Aberto de segunda a sexta das 8h às 18h, e sábado das 8h às 13h. Domingo a família descansa — e a Flor com a Flora também.
Uma dica honesta: se você quer conhecer a Flor e a Flora com calma, e ainda conversar sobre planta, prefere vir entre terça e sexta. Sábado costuma ser bem movimentado — o atendimento é bom, mas tem fila para carinho de cabra também. De terça a sexta você tem espaço para circular, sentar num banco, ficar o tempo que quiser.
Se for sua primeira vez, vale dar uma olhada na página Sobre a Alecrim antes — conta a história da família e dos mascotes.
Perguntas que você pode estar fazendo
Posso levar criança para conhecer a Flor e a Flora?
Pode e adoramos quando vêm. A criançada se encanta — muitas voltam com os pais só para ver as cabras de novo. Pedimos só que a criança se aproxime devagar e com um adulto junto, especialmente da Flora, que ainda é filhote.
As cabras mordem? São mansas?
São mansíssimas. Flor é uma mini cabra adulta criada com gente desde pequena — gosta de cheirar a mão, pedir carinho atrás da orelha. Flora puxou o jeito dócil da mãe. Nenhuma das duas morde. Só pedimos para não oferecer comida sem perguntar antes — elas têm dieta certa.
Posso tirar foto da Flor e da Flora?
Pode à vontade — e marca a gente no Instagram (@alecrimflorcultura). Pedimos só para não usar flash perto da Flora, que ainda está se acostumando com o movimento da loja.
Conheça a Flor e a Flora no quintal
Aberto de segunda a sexta das 8h às 18h e sábado das 8h às 13h. A Flora ainda é filhote, então aproxime devagar.
Como chegar →Mais histórias do quintal: a história da Alecrim · o que plantar em maio em Blumenau.
— Christiane & Lucas